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Reviver Centro licenciou mais de 7,8 mil unidades em 5 anos; leilão na Pedra do Sal expõe desafios para o Rio

Região Central do Rio - ao Centro, a Praça da República Alexandre Macieira/RioTur O programa Reviver Centro, criado pela Prefeitura do Rio para estimular a o...

Reviver Centro licenciou mais de 7,8 mil unidades em 5 anos; leilão na Pedra do Sal expõe desafios para o Rio
Reviver Centro licenciou mais de 7,8 mil unidades em 5 anos; leilão na Pedra do Sal expõe desafios para o Rio (Foto: Reprodução)

Região Central do Rio - ao Centro, a Praça da República Alexandre Macieira/RioTur O programa Reviver Centro, criado pela Prefeitura do Rio para estimular a ocupação residencial da região central da cidade, já licenciou mais de 7,8 mil unidades habitacionais desde 2021, segundo dados atualizados do painel municipal de acompanhamento do projeto, referentes a março de 2026. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias do RJ em tempo real e de graça Os números mostram avanço do processo de revitalização imobiliária do Centro do Rio, impulsionado principalmente pela transformação de prédios antigos e comerciais em moradias. Ao todo, o programa contabiliza 74 licenças emitidas, somando 7.818 unidades — das quais 7.733 residenciais — e mais de 451 mil metros quadrados licenciados. Em 9 meses, projeto Reviver Centro tem 16 pedidos de licença para imóveis residenciais O ano de 2025 concentrou o maior volume de projetos desde a criação do programa. Sozinho, o período respondeu por 22 licenças e 3.202 unidades aprovadas, quase 41% de todo o volume licenciado desde o lançamento do Reviver Centro. Crescimento do mercado O Reviver Centro foi aprovado pela Câmara de Vereadores e sancionado pela Prefeitura do Rio em 2021, com o objetivo de estimular a recuperação urbanística, econômica e habitacional da região central da cidade. A legislação criou incentivos fiscais e flexibilizações urbanísticas para estimular a conversão de imóveis comerciais em residenciais, além de projetos de retrofit e empreendimentos de uso misto. Desde então, o mercado imobiliário passou a investir de forma mais intensa em imóveis antigos do Centro. “O Centro tem todas as características para ser uma das regiões mais valorizadas da cidade porque tem transporte de massa instalado, funcionando e em ótimas condições, além de ser próximo a áreas de lazer, centros culturais e museus que vamos voltar a utilizar”, afirmou o presidente da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi), Cláudio Hermolin. Reviver Centro licenciou mais de 7,8 mil unidades em 5 anos; leilão na Pedra do Sal expõe desafios para o Rio Reprodução Google Maps Dados atualizados da prefeitura mostram que 59 das 74 licenças emitidas desde o início do programa foram destinadas à transformação de uso de imóveis já existentes, enquanto apenas 15 envolveram novas construções. Os números também indicam predominância da ocupação residencial. Das 7.818 unidades licenciadas, apenas 85 são não residenciais. Outro indicador usado pela prefeitura para medir o avanço da revitalização é o número de projetos concluídos. Segundo o painel municipal, 24 processos já receberam habite-se ou aceitação de obras, totalizando 1.891 unidades liberadas. O caso mais emblemático do novo ciclo imobiliário do Centro é o edifício A Noite, na Praça Mauá. Considerado o primeiro arranha-céu da América Latina, o prédio histórico será transformado em empreendimento residencial com 447 apartamentos, lojas e centro cultural após ser adquirido por um consórcio imobiliário em 2024. Reviver Centro cria mais de 7 mil moradias, e moradores cobram serviços e segurança Na avaliação da prefeitura e do mercado imobiliário, o crescimento do retrofit e da moradia na região central está ligado à infraestrutura já existente no Centro, como VLT, metrô, oferta de serviços e proximidade de áreas culturais e turísticas. Leilão esconde dificuldades Em meio ao crescimento do mercado imobiliário na região portuária, um leilão de 73 imóveis residenciais e comerciais na área da Pedra do Sal expôs, porém, os obstáculos que ainda cercam a recuperação de casarões históricos do Centro. Leilão de imóveis comerciais e residenciais na região da Pedra do Sal têm lances iniciais na casa dos R$ 100 mil. Divulgação Taba Leiloes Os imóveis, distribuídos em nove lotes e com expectativa de movimentar mais de R$ 33 milhões, estão localizados em uma das áreas mais simbólicas da cidade, entre a Pedra do Sal, o Largo São Francisco da Prainha e a Pequena África. Os lances iniciais partem de R$ 103 mil, valor referente a uma casa na Freguesia de Santa Rita, no bairro da Saúde. O lote de maior valor reúne 14 imóveis residenciais e comerciais, com preço inicial de R$ 9 milhões. Os pagamentos são à vista. Apesar do avanço da revitalização, os editais do leilão na Pedra do Sal mostram um cenário complexo para investidores interessados em imóveis históricos da região portuária. Os imóveis ofertados estão submetidos a regras de preservação histórica do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), além de limitações ligadas à Área de Proteção Ambiental (APA) criada pela legislação municipal para preservação do patrimônio da região. Os editais também transferem ao comprador responsabilidades relacionadas à regularização documental e física dos imóveis, incluindo divergências de área construída, ônus cartoriais e adequações junto à prefeitura e ao registro de imóveis. Reviver Centro licenciou mais de 7,8 mil unidades em 5 anos; leilão na Pedra do Sal expõe desafios para o Rio. Reprodução Google Maps Em um dos imóveis ofertados na Rua Camerino, por exemplo, consta registro de usufruto em favor de uma terceira pessoa. Outro imóvel na Rua Sacadura Cabral possui penhora relacionada a uma execução fiscal em tramitação no Tribunal de Justiça do Rio. Há ainda imóveis ocupados, casos de contratos de locação ativos e situações em que os compradores poderão assumir custos ligados à desocupação dos imóveis. Os editais estabelecem que os imóveis serão vendidos “no estado em que se encontram”, física e documentalmente, e preveem multas para arrematantes que desistirem após a oferta do lance. As imagens divulgadas no site do leilão mostram casarões deteriorados, fachadas desgastadas, pichações e imóveis aparentemente vazios ou subutilizados, cenário que indica necessidade de investimentos elevados em retrofit e recuperação estrutural. Leilão de 73 imóveis residenciais e comerciais na área da Pedra do Sal expõe os obstáculos que ainda cercam a recuperação de casarões históricos do Centro. Divulgação Apesar dos números positivos do Reviver Centro, urbanistas e pesquisadores apontam desafios relacionados ao perfil da ocupação residencial e à infraestrutura da região. Para a professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UFRJ Laisa Ströher, parte dos novos empreendimentos vem sendo direcionada ao mercado de aluguel de curta temporada. “Esses novos empreendimentos tão muito ligados ao mercado de aluguel de curta temporada (...) tá mais incentivando a hospedagem do que a moradia em si”, afirmou. Moradores também relatam dificuldades ligadas à segurança, serviços básicos e adaptação da infraestrutura urbana ao crescimento populacional da região central. “A região é muito boa, mas ela precisa se tornar residencial, não apenas comercial”, afirmou a moradora Verônica Souza, que vive em um dos empreendimentos ligados ao Reviver Centro. O arquiteto e urbanista Fernando Costa avalia que o momento atual ainda é de adaptação da região ao novo perfil de ocupação. “Assim como os moradores fixos, os turistas que estão num curto período também precisam ser abastecidos de comércio, limpeza urbana, cuidado com lixo, com as calçadas, vias, até com o controle do trânsito. Por mais que a gente tenha nesse momento alguns tropeços, acho que as vitórias, os ganhos, estão sendo superiores aos tropeços.” Especialistas também apontam que imóveis históricos da região portuária exigem investimentos elevados e processos burocráticos complexos, especialmente em áreas protegidas pelo patrimônio histórico.

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