‘O RJ chegou ao fundo do poço e descobriu que ainda havia uma caixa de gordura’, diz juiz de ação contra autarquia
MPRJ faz operação contra esquema de corrupção no Instituto Rio Metrópole, ligado ao governo do estado do Rio Na decisão em que expediu os mandados da Oper...
MPRJ faz operação contra esquema de corrupção no Instituto Rio Metrópole, ligado ao governo do estado do Rio Na decisão em que expediu os mandados da Operação Ouroboros, deflagrada nesta quinta-feira (9) pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), o juiz Marcello Rubioli, da 1ª Vara Criminal Especializada em Organização Criminosa, escreveu ser essencial que “todas as instituições se alinhem” para “dedetizar e sanitizar o Estado do Rio de Janeiro”. “O que se vê é um cenário de total aparelhamento espúrio do estado, sangria das verbas públicas, apadrinhamentos e toda sorte de ações que levaram o mesmo à bancarrota”, declarou. “É dizer que o Estado do Rio de Janeiro chegou ao fundo do poço e descobriu que ainda havia uma caixa de gordura.” A Operação Ouroboros mirou um esquema de corrupção no Instituto Rio Metrópole (IRM), um órgão do governo do estado. O MPRJ passou a investigar a autarquia após uma auditoria determinada pela gestão do governador em exercício Ricardo Couto. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias do RJ em tempo real e de graça Davi Perini Vermelho, o Didê, presidente do IRM Reprodução/TV Globo A mando de Rubioli, o MPRJ prendeu 6 pessoas nesta quinta: Amanda Íthala Santos da Paschoa: nora de Maurício Knoploch e gestora de contratos do IRM, depois da saída de Caroline; Caroline Soares Barros, a “Mulher da Mala”: ex-fiscal do IRM e fundadora do Instituto Bio, empresa subcontratada da autarquia; Davi Perini Vermelho, o Didê: presidente do IRM; Franquis Dias Nepomuceno: delegado e diretor do IRM, apontado como dono da empresa de vigilância Rioforte; Marcelo Lopes da Silva: procurador do estado e ex-procurador-geral do IRM; Mauricio Silva Knoploch dos Santos: pai do deputado estadual Alexandre Knoploch (PL) e diretor de Planejamento e Projetos do IRM. Além deles, também foram denunciados, mas não tiveram a prisão decretada: Gerson Luís de Araújo Rodrigues: representante da Engeconsult; Hélio Augusto Machado Pessôa: representante da Engeconsult; Leilson de Souza Nepomuceno: pai de Franquis e dono da Rioforte; Roberto Accioly Peotta: representante da R Peotta; Roberto Peotta: representante da R Peotta. Rubioli aceitou a denúncia do Grupo de Atuação Especializada de Defesa da Integridade e Repressão à Sonegação Fiscal (Gaesf/MPRJ) e tornou réus todos os 11. O que diz a denúncia De acordo com o Gaesf, em licitações fraudulentas e direcionadas a partir de 2022, o Instituto Rio Metrópole contratou a Engeconsult Consultores Técnicos e a R Peotta Engenharia e Consultoria. Em seguida, a Engeconsult e a R Peotta celebraram subcontratos fictícios com a Brazilian Institute of Organic — Instituto Bio. A fundadora dessa empresa terceirizada é Caroline Soares Barros, que até 2022 era fiscal de contratos do IRM. Segundo o MPRJ, parte dos R$ 86 milhões foi sacada das contas do Instituto Bio e distribuída aos investigados. Um desses saques foi no dia 9 de janeiro, em Teresópolis, na Região Serrana do RJ. A denúncia diz que Caroline tentou sacar R$ 500 mil em espécie, escoltada por funcionários da Rioforte, mas acabou surpreendida por agentes da 110ª DP (Teresópolis). Caroline Soares Barros, a “Mulher da Mala” Reprodução/TV Globo Alerta durante férias O promotor do Gaesf, Décio Alonso, afirmou que as irregularidades começaram a ser notadas quando um dos denunciados, o ex-procurador-geral do RJ Marcelo Lopes da Silva, saiu de férias. Lopes era procurador do IRM, e sua substituta estranhou um parecer assinado por ele sobre a terceirização do Instituto Bio. Segundo a investigação do MPRJ, não foi possível identificar o objeto desse contrato. “Lopes foi substituído por uma outra servidora, que, analisando corretamente o comportamento tanto da autarquia quanto das pessoas contratadas, apontou a irregularidade do parecer”, disse o promotor. No entanto, o alerta da substituta de Lopes foi ignorado depois. “Esse parecer foi ignorado completamente. Não há referência anterior a ele, não há desdizer, não há contradição, não há nada, e simplesmente foi substituído por um outro que dava valia, dava autorização àquilo que a autarquia pretendia fazer”, descreveu o coordenador do Gaesf.